Blog deLuís Lisboa Santos

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Suplementação Alimentar: pense antes de tomar

Quinta-feira, 25 de Junho de 2020

Sabemos que refeições pobres nutricionalmente, dietas restritivas, estilos de vida e “ritmos acelerados”, levam-nos a uma difícil ingestão de todos os nutrientes essenciais ao desenvolvimento e manutenção da nossa saúde.

Habitualmente todos pensamos que devemos tomar “uns suplementos”, seja para suprimir carências da nossa alimentação, melhorar as nossas defesas, aumentar massa muscular, perder peso, perder “volume”, ou por muitas outras alegações.

A oferta é ampla, comprimidos, ampolas, gotas, xarope, pastilhas ou mesmo em pó, o mercado atual está repleto de diferentes opções em múltiplas formas e combinações. Se olharmos para os dados recentes, cerca de 2.7 milhões de portugueses tomam habitualmente suplementos alimentares, sendo os adultos e os idosos aqueles que mais consomem.

Importa clarificar que os principais micronutrientes em défice, a nível nacional, são o cálcio, potássio, acido fólico e a vitamina D.

No caso das crianças com idade inferior a 3 anos, o consumo é facilmente explicado pela elevada velocidade de crescimento durante os primeiros anos de vida, onde temos de ir ao encontro às exigências nutricionais, uma vez que uma alimentação menos adequada pode comprometer o desenvolvimento cognitivo e físico, sendo a vitamina D, C e o ferro, os usualmente tomados. Saliento que no caso de crianças vegetarianas pode ser necessário suplementar em vitamina B12.

Importa clarificar que existem linhas orientadoras para a suplementação nas diversas fases da vida, como é o caso da gravidez (ácido fólico e iodo), osteoporose (insuficiência na dieta das quantidades de cálcio e vitamina D), problemas gastrointestinais que afetem absorção de nutrientes (celíacos, doença de Chron, cirurgia bariátrica) e dietas cetogénicas. Também no contexto desportivo, como a alta competição ou ciclos exigentes (exemplo: provas de ciclismo, maratonas, três ou mais jogos por semana…).

Saliento que, quando através de análises clínicas é diagnosticado défice de algum nutriente existe uma base especifica que nos leva a atuar na alimentação dessa pessoa, ou em casos mais exigentes, ponderar a suplementação.

Os suplementos alimentares são géneros alimentícios que tem o objetivo de complementar e/ou suplementar um regime alimentar, nunca devem substituir uma alimentação saudável e equilibrada.

Antes de iniciar qualquer suplementação alimentar, deve consultar um profissional de saúde, como o nutricionista, ele irá avaliar a necessidade, verificar a existência de carências, ajustar a posologia e monitorizar a sua necessidade e evolução. Evite tomar apenas baseando-se nas experiências de familiares, amigos ou conhecidos, é totalmente errado!

Deve comer mais para superar carências? Comer muito pode não ser solução, muitas vezes estamos apenas a ingerir elevado número de calorias, alguns défices nutricionais mantêm-se, pois, a alimentação não está a ser a mais rica e completa. Apenas sabemos que a vitamina E acaba por dificilmente entrar em carência numa dieta com “bom aporte calórico” pois, ela existe essencialmente em óleos alimentares e no azeite.

No que toca aos suplementos proteicos, não se esqueça que conseguimos obter a proteína em muitos dos alimentos que fazem parte do nosso dia (carne, peixe, ovos, lacticínios, leguminosas…). Importa clarificar que a suplementação poderá ser benéfica em situações que não consegue atingir o aporte recomendado para si. Opte pela alimentação adequada sempre em primeira linha, no caso da proteína, investindo em fontes alimentares com menos gordura ou açúcar.

Suplementar deve ser opção após aconselhamento nutricional feito por nutricionistas, e mais uma vez, não se baseado em informação pouco técnica e personalizada.

Pense em primeira mão alterar os seus hábitos alimentares e estilo de vida, eduque-se a ter uma alimentação variada, equilibrada e nutritiva.