Blog deTatiana Fernandes

Nutricionista · 2458N

Nutrição

Alimentação na Diabetes: 10 mitos

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

“A alimentação de uma pessoa com diabetes é diferente da população em geral”

Provavelmente já ouviu alguém dizer que uma pessoa com diabetes tem que seguir uma “dieta especial” ou que não pode comer determinados alimentos. Na verdade, não existe uma dieta específica para diabéticos.

A alimentação de uma pessoa com diabetes deve ser idêntica à alimentação de uma pessoa sem diabetes, ou seja, equilibrada, variada e completa. Isto significa que toda (mas toda) a gente deve consumir os alimentos mais docinhos pontualmente!

Além de uma alimentação saudável, existem apenas 3 particularidades que um diabético deve ter: distribuir os alimentos ao longo do dia, não omitir refeições (comer de 3 em 3 horas) e evitar jejuns noturnos prolongados realizando uma pequena ceia.

“Eu nem como muitos doces, como é possível ser diabético?”

A diabetes não “aparece” diretamente pelo consumo de açúcar. Especificamente, a diabetes tipo 2 está associada a fatores genéticos e ambientais.

Existem vários fatores de risco para o desenvolvimento de diabetes tipo 2, ou seja, situações que aumentam a probabilidade de ocorrência da doença, tais como: obesidade, maus hábitos alimentares, sedentarismo e história familiar de diabetes.

Portanto, consumir mais ou menos doces não significa, por si só, que tem maior ou menor probabilidade de vir a ter diabetes no futuro.

No entanto, se abusar no consumo de produtos açucarados e hipercalóricos, irá contribuir para o aumento de peso, podendo aí estar perante um fator de risco para o aparecimento de diabetes.

Manter um peso adequado, praticar uma alimentação saudável e “dar corda aos sapatos” é a melhor prevenção.

“Eu não uso açúcar... Só uso açúcar amarelo!”

O açúcar branco ou sacarose, o mais vulgar na nossa casa, é mais refinado e isento de vitaminas e minerais.

O açúcar amarelo e o mascavado são menos refinados e por isso mantêm algumas das propriedades nutricionais, mas poucas.

Qualquer um dos açúcares apresenta as mesmas calorias e ambos devem ser consumidos com moderação. No caso de pessoas com diabetes devem evitar o consumo de qualquer um porque todos elevam os níveis de glicose no sangue.

“O adoçante é pior do que o açúcar!”

Os adoçantes ou edulcorantes são substâncias utilizadas como substitutos de açúcar e por isso possuem sabor adocicado. Existem adoçantes calóricos, com cerca de 2 Kcal/g, como sorbitol, manitol, xilitol e outros acabados em -itol, e adoçantes não calóricos, sem qualquer valor calórico e não alteram a glicemia, como o aspartame, sucralose, sacarina, etc.

A má fama dos adoçantes advém do facto de serem substâncias sintéticas e por isso provocarem danos na saúde. No entanto, os edulcorantes utilizados na Europa são controlados e seguros não causando efeitos negativos na saúde.

O açúcar, embora seja “mais natural”, apresenta calorias (4 Kcal/g) e por ser facilmente digerido e absorvido pelo organismo provoca subida rápida da glicemia.

Assim, é aconselhado que pessoas com diabetes que necessitem de adoçar os alimentos ou bebidas, optem por adoçante em alternativa ao açúcar.

E stevia? É um adoçante natural obtido da planta stevia rebaudiana com poder adoçante 200 a 300 vezes mais do que o açúcar. Pode ser utilizado de forma segura como substituto do açúcar em alimentos ou bebidas.

“O mel faz bem!”

O mel é um alimento natural muito utilizado nesta altura do ano, especialmente com o propósito de “curar” a dor de garganta ou a constipação.

Composto maioritariamente por açúcar, o mel também apresenta água e uma quantidade (muito) residual de proteína e alguns micronutrientes.

Embora possa apresentar uma composição mais interessante do que o açúcar vulgar, o mel é um açúcar de absorção rápida fazendo elevar subitamente os níveis de glicose no sangue. Lembre-se, mel é açúcar, não abuse!

“Fruta é saudável posso comer à vontade!”

Laranja, maçã, banana... Todos os dias ouvimos dizer que devemos comer fruta diariamente, até inventaram o slogan “Já comeste fruta hoje?” com o objetivo de promover o aumento do consumo de fruta.

É um alimento rico em vitaminas, minerais, fibras e água com um papel essencial na prevenção de doenças. Contudo, a fruta é doce, e também é por isso que gostamos tanto de dela!

É a frutose - o açúcar da fruta - que lhe confere o sabor adocicado. Motivo pelo qual uma pessoa com diabetes deva ter especial atenção à quantidade de fruta que consome. Quantidades elevadas como, 6 ou 7 porções de fruta por dia, ou comer 2 ou 3 porções numa só vez, podem originar picos de glicemia, ou seja, níveis de açúcar no sangue elevados.

Assim, pode e deve incluir fruta ao natural, cerca de 2 a 3 porções, repartida ao longo do dia.

“Só posso comer frutas verdes e pouco doces!”

Muitos indivíduos com diabetes têm “medo” de comer frutas maduras pelo sabor mais doce, evitando consumir bananas, figos, uvas ou melão, por exemplo.

De facto, a quantidade de açúcar presente nas frutas é variável. No entanto, independentemente do tipo de fruta e do grau de maturação de cada uma, desde que seja incluída numa alimentação equilibrada, pode ser consumida por pessoas com diabetes.

Já agora, a maçã reineta (conhecida como a mais amarga) contém semelhante quantidade de açúcar de outros tipos de maçã.

“O limão é ácido, não tem açúcar!”

O sabor ácido de algumas frutas, como o limão, não significa ausência de açúcar. A ideia de beber sumo de limão ácido com o objetivo de reduzir os níveis de glicemia é errada!

“Nunca mais posso comer doces!”

Rebuçados, bolos, sobremesas, chocolates são considerados “alimentos proibidos” para uma pessoa que tenha diabetes. Tanto para indivíduos diabéticos como para a população em geral, os produtos açucarados não devem fazer parte da alimentação diária, devendo ser reservados para dias ocasionais/festivos.

Os doces efetivamente elevam facilmente a glicose do sangue, por isso é preferível consumi-los pontualmente, em quantidade moderada e após uma refeição principal.

“A canela faz bem à diabetes e ajuda a perder peso!”

Este mito pode ser verdade...

Nos últimos anos têm surgido alguns estudos indicando que a canela é interessante no controlo dos níveis de açúcar e do colesterol no sangue. No entanto, os mesmos estudos apresentam várias limitações, não nos dando a certeza se a canela é realmente tão benéfica.

Uma especiaria muito utilizada e apreciada pelos portugueses, por exemplo em bolos, sobremesas ou no café, conferindo um gosto adocicado aos alimentos e bebidas.

Pode “fazer bem à diabetes” porque atrasa a digestão e diminui a velocidade de absorção dos alimentos, contudo o seu efeito depende da quantidade ingerida e do tipo de alimentos em que polvilha a canela. Se comer um pastel de nata “coberto” com canela vai ver os níveis de açúcar no sangue igualmente altos.

Também pode “ajudar a perder peso” se a utilizar em alternativa à adição de açúcar nos alimentos. Menos açúcar, menos calorias, redução de peso.



Tatiana Fernandes

Nutricionista, 2458N